At the sea…

Quem me conhece sabe que nunca fui de ir à praia. Quando as temperaturas em Lisboa chegavam aos 40° eu só pensava em ficar espapaçada em casa, à sombra e no fresco, enquanto quem me rodeava falava de banhos de sol, areia, sol e mar. Enfiar-me num carro a escaldar e ficar entalada no trânsito a assar não me parecia muito convidativo mas, claro, não sou completamente contra e admito que gosto de estar estendida na areia a sentir a brisa e o cheiro a mar…

Quando vim para Londres e os dias cinzentos se começaram a suceder, dei por mim saudosa da facilidade de chegar à praia, convencida que, aqui, isso seria ainda mais difícil. Por isso quando a Sara me perguntou se queria ir à praia fiquei espantada: praia? Aqui? Onde?

O sabor do sol e o cheiro do mar...

O sabor do sol e o cheiro do mar…

Claro que há água… muita! Afinal estamos numa ilha! E se dissermos que as praias são longe e que demoramos mais de uma hora a chegar, pensemos em quantas horas ficamos paradas na ponte 25 Abril para ir … e depois para regressar.

photo1 (3)E por isso fomos. O destino escolhido foi Southend-on-sea, uma cidade balneária a cerca de 40 milhas de Londres, no estuário do Thames. Entre underground para West Hampstead, overground para Barking e comboio para Southend Central, levou cerca de 1h40 mas chegámos a uma cidade pitoresca, cenário muito british e parada no tempo.

A via pedonal em direcção à praia estava ladeada de lojas em saldos (ai, ai, a tentação!) e quando chegámos ao rio deparámos com um parque de diversões, um pontão longo que se estendia e contorcia quase até ao horizonte (segundo dizem é o pontão mais longo do mundo com 1,34 milhas) e a praia para a esquerda e direita.

É muito fácil pensar na personagem de Hercule Poirot sentado numa das varandas do hotel com o seu fato branco e a queixar-se do tempo quente...

É muito fácil imaginar a personagem de Hercule Poirot sentada numa das varandas do hotel com o seu fato branco e a queixar-se do tempo quente…

A praia e parte da adventure island, o parque de diversões

The longest pleasure pier in the world

 

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A praia não é como as de Portugal… mas deve ser como muitas que existem por aqui… O cheiro a maresia está presente e ouvem-se as gaivotas que juntamente com os gritos de quem anda (e berra) na montanha russa e com o comboio que percorre o pontão, fazem a banda sonora desta praia.

Águas cristalinas?... Naaaa...

Águas cristalinas?… Naaaa…

Não há areia e em vez de algo arenoso, fino, branco e quente que desliza pelos dedos dos pés, temos seixos redondos ou com arestas aguçadas que nos magoam e nos fazem encolher (chinelos indispensáveis e ausentes da mala); o mar não tem ondas, desfazendo-se suavemente na margem, a água não é cristalina nem se vê o fundo mas é quente e sabe bem mergulhar nas profundezas (literalmente, pois nada se vê!).

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Tive de fazer um esforço para não engolir pirolitos porque nem quero pensar na razão das águas parecerem tão lamacentas, mas estas aliviaram o calor que sentia sem experienciar aquele choque térmico de quem está a assar e depois mergulha em águas (aparentemente) gélidas, coisa que me acontecia muito na Arrábida quando o sol sufocante parecia queimar na pele e a água do mar parecia saída de um frigorífico.

Dolce feire niente...

Dolce faire niente…

A toalha de praia não fez parte das coisas essenciais quando me mudei para cá, tal como não fez o fato de banho (que veio depois) nem o chapéu de sol, mas entre empréstimos de quem tinha e uma toalha de casa de banho, as coisas remediaram-se (somos enfermeiras, a improvisação faz parte da nossa vida) e passámos um bom dia, estendidas nas toalhas, a ler, a ouvir música e a observar quem nos rodeava.

 As pessoas não eram muitas (ninguém teve de lutar por um espacinho na “areia”) e eram raras as que estavam na água. Nem as crianças estavam de fato de banho. Leva-me a pensar que realmente aqui não há a cultura de banhos de mar e que Southend-on-sea ficou congelada no tempo e ainda se vai à praia como se ia antigamente.

Diferentes gerações congeladas no tempo...

Diferentes gerações, os mesmos comportamentos…

E todo o dia o british weather não fez justiça à sua fama e o sol brilhou bem alto. E atraiu centenas de formigas aladas (ou sei lá que bichos eram aqueles) que começaram a irritar, especialmente por se colarem à pele húmida do protector solar (outro item inexistente na minha mala).

Dezenas de loopings causadores de suores frios e gritos de aflição...

Dezenas de loopings causadores de suores frios e gritos de aflição…

E molemente decidimos arrumar as mochilas e voltar para Londres, não sem antes nos determos a analisar a montanha russa, a tentar reunir coragem para fazer uns quantos loopings enquanto pensávamos na razão que nos leva a meter em cenas destas. E quanto mais pensávamos mais nos acobardámos e decidimos em vez disso ir fazer umas compras (saldos são uma perdição e as malas da Acessorize chamavam por nós) e parar na Patisserie Valerie para um cappuccino, mocha e scones com compota e chantilly.

 

E se bem que esta não seja uma praia como as de Portugal, deu para matar saudades daquilo que faz lembrar estes locais, da sensação de férias que ainda continuam, de descontracção, de nada fazer…

Imagens de um dia de praia...

Imagens de um dia de praia…

Foi só fechar os olhos, ouvir a suavidade da água a bater na margem, seja ela constituída de areia ou seixos; de sentir o sol a acariciar a pele e de esvaziar a mente de maus pensamentos, arrelias ou preocupações… Se bem que faltou a bola de berlim que, infelizmente, não parece haver aqui…

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