Lord of the dance

Li algures que se colocarmos um relógio perto de um aquário, o seu tique taque é amplificado pela água e o coração do peixe tenta acompanhar o som, começa com disritmias e acaba por parar. O proverbial peixinho dourado morre só porque tenta acompanhar o ritmo do relógio.

A noite passada senti o mesmo… não me parece que tenha feito disritmias (e não morri) mas ao ouvir o matraquear cadenciado dos sapatos senti o coração a bater com força e o sangue a pulsar mais forte nas veias. Senti-me envolvida pela magia que parece evolar do palco: involuntariamente os meus pés tentavam acompanhar o ritmo (e o cavalheiro sentado atrás de mim também sapateava com entusiasmo, a atestar pelas sacudidelas que sentia na minha cadeira) e sentia-me emocionada com o talento dos dançarinos.

Adoro estes espectáculos e tudo o que os envolve: o planeamento, a antecipação e a concretização destas combinações que nos permitem conhecer um bocadinho mais da oferta cultural de Londres. Desta vez fomos ao Soho, ao London Palladium. Quando vi anunciado que o espectáculo do Lord of the dance estaria cá por pouco mais de um mês, fiquei logo com as antenas no ar.

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Riverdance surgiu pela primeira vez no intervalo do Festival da Eurovisão da Canção, em 1994, antes da votação final. Durou cerca de sete minutos, teve uma ovação em pé no final e marcou o início de dezenas de espectáculos que mostravam Michael Flatley e Jean Butler a dançar esta dança tradicional irlandesa. Não vi (e se fosse agora também não veria porque o tempo de estar sentada em frente à TV, com a tv guia aberta no colo para assentar em directo os pontos e ver quem ganhava, já passou há muito); mas assisti a um espectáculo ao vivo, quando o MEO Arena ainda se chamava Pavilhão Atlântico.

Adorei na altura, se bem que as cadeiras na plateia estivessem colocadas de um modo muito infeliz, todas no mesmo plano, o que fez com que durante todo o espectáculo a minha cabeça parecesse um sino a badalar de um lado para o outro, a tentar esquivar-me à cabeçuda que estava sentada à minha frente. Já lá vão muitos anos mas lembro-me bem pelo que achei que este era imperdível.

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E novamente foi inesquecível e adorei todos os bocadinhos… embora admita que nos momentos mais parados, quando tocavam o fiddle ou cantavam, me encostava para trás e deixava o olhar vaguear pelos veludos e brocados da sala. Desta vez não tinha cabeçudos à minha frente e mesmo no upper circle via bem o palco e ouvia nitidamente os taps-taps dos sapatos. E no final ainda tivemos direito a ver o próprio Michael Flatley no palco, a dançar para nós aquilo que tornou famoso para o mundo.

 

E quando saímos para o exterior já a noite caíra sobre Londres e pudemos ver as decorações de Natal que estão já penduradas sobre a Oxford Street (embora apagadas). Fomos envolvidos pela noite fria e deixámos para trás os dangerous games, que estarão por cá até dia 25 de Outubro…

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