You are going to be fine…

 

Ir fazer noite começa a ser cada vez mais um suplício. Se antes nunca me chateei com isso, e muitas vezes até as preferia em detrimento das tardes, desde que tenho os turnos de 12 horas que me custa imenso fazer o turno da noite. Passar o dia ambivalente entre sair e passear começando o turno cansada, ou ficar em casa e ter todo o tempo para pensar (no que devo e no que não devo), faz-me sentir uma angústia quase intolerável. E depois sair de casa pelas 18.30, demasiado cedo para jantar mas consciente que até conseguir parar e comer chega a meia noite, deixa-me num estado tal que não me consigo alegrar com nada.

Vou trabalhar como se carregasse o mundo nos meus ombros e ontem esta minha melancolia agravou-se pela chuva fria que caía, pelos dias que cada vez são mais curtos engolidos pela noite que surge antes das 19h e pelo facto do meu serviço ter fechado por ter poucos doentes e eu ter sido recambiada para o meu antigo. Cheguei ao serviço a reluzir pelas gotas de água espalhadas pelo casaco, calças e cabelo, para descobrir que a água das torneiras tinha muito pouca pressão o que deixou logo adivinhar umas quantas queixas (e com razão) dos pais dos miúdos internados. E como se não bastasse tudo isto, uma enfermeira não apareceu o que me deixou atrapalhada só com mais uma colega e a braços com montes de trabalho.

Foi um início de turno para esquecer, comemos algo muito rápida e sofregamente pelas 23h e antes da meia noite já tinha bebido uma coca cola, um cappuccino e caminhava para um segundo (a minha gastrite até deu pulos de contente!). Toda a noite de um lado para o outro e cheguei ao dia seguinte sem poder com uma gata pelo rabo e desejosa de bazar. Mas o sol deu um ar de sua graça e ainda fui a Victoria tomar o pequeno almoço com uma amiga, enquanto a chuva foi aparecendo meia tímida mas demonstrando que com o seu amigo vento veio para ficar.

E na pastelaria que tanto gosto deparo-me à entrada com este cartaz:

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Sem querer ser narcísica senti que a frase me era dirigida e animou-me um bocadinho, aliviando o peso da noite trabalhosa e com pouco pessoal (o croissant com queijo tostado, o latte e uma boa conversa em que despejei partilhei a frustração também ajudaram). Uma pessoa não quer andar à procura de sinais mas às vezes, nos sítios mais inesperados, encontramos algo que faz eco dentro de nós. Claro que podia ter ideias de grandeza e começar a achar que tudo me é dirigido e, inclusivé, achar que os apresentadores do telejornal estão falar directamente comigo, mas não é o caso, (até porque eu não tenho televisão) deu para sorrir e o dia pareceu logo melhorar.

 

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