… e por ali

Santorini

Santorini

Sempre gostei de viajar.

Sempre gostei de viajar e a Europa foi sempre o meu destino favorito. Não sou daquelas que afirma com veemência que férias sem se sair do país não são férias na verdadeira acepção da palavra, mas admito que viajar proporciona bem estar e consegue realmente fazer desligar o botão on do nosso dia a dia para passarmos a pensar apenas em assuntos mais supérfluos (mas muito prazenteiros) tal como “qual será o pequeno almoço?”, “como estará o tempo?”, “o que visto?”, “o que vamos visitar e fotografar?”.

Em criança nunca houve grande possibilidade de viajar e quando comecei a trabalhar foi algo que tentei fazer anualmente (fazendo alguns cortes e esticando o salário) e que mantive até há uns anos atrás. Nunca subi o Kilimanjaro, nunca dei a volta ao mundo em 80 dias (nem em mais), nunca viajei no expresso do oriente (quem sabe um dia), nunca fui à Patagónia (ainda) nem ao Tibete (talvez, talvez); mas já vi muita coisa, vivi muitas experiências, conheci muita gente. Já repeti cidades quando achei que mereciam mais que uma breve visita de turista apressada, já fiz circuitos terrestres pelos países, já fiz cruzeiros e já palmilhei muitos quilómetros por essa Europa fora (com um pulinho a Nova Iorque e outro à Rússia). Comecei… adivinhem? Em Londres, claro, e fui andando sempre para Este (o que não é muito difícil quando se parte do país mais ocidental deste velho continente) na (re)descoberta de terras longíquas e ricas em história.

E neste meu périplo pelo histórico continente posso dizer que já vi muito e já passei por muito. Não querendo entrar em reminiscências do tipo “eu sou do tempo…”, a verdade é que realmente sou do tempo…:

– em que raras eram as malas com rodas (a primeira vez que vim a Londres carreguei com sacos ao ombro e na volta para casa levei comigo mais uns sacos carregados de compras e uma casa de bonecas de madeira, comprada no Harrods, e com cerca de 40kg);

– em que não havia limite de bagagem de mão e trazer garrafas na mala de cabine era o pão nosso de cada viagem (de Itália vieram garrafas de limoncello e de grappa; de Munique, licor de chocolate; da Madeira licor de banana);

– em que se usava passaporte porque realmente era necessário parar nas fronteiras e tinha mais que um carimbo para provar que tinha passado por vários países;

– não havia necessidade de tirar casacos nem sapatos nos controlos de segurança dos aeroportos e passar com frascos com mais de 100ml não fazia soar alarmes nem obrigar a apalpadelas;

– a comida dada a bordo era boa;

E até agora fiz, e vi, muita coisa:

– vi a Mona Lisa de perto (pequena, muito pequena) e já me perdi dentro do Louvre, na ala egípcia (já não podia com múmias e sarcófagos); subi à torre Eiffel e à Notre Dame, desci às catacumbas da Ópera Garnier e subi as escadas do Sacré Coeur; visitei Versalhes e alguns castelos do Vale do Loire; comi croissants e crepes com chocolate e baguettes com manteiga. Visitei Paris à chuva e ao sol, ao vento e sob nevoeiro…;

Uma das gárgulas na Catedral de Notre Dame

Uma das gárgulas na Catedral de Notre Dame

– fui à Disneyland Resort Paris (três vezes) e perdi-me na magia dos contos de fadas e na alegria pueril de quem tem o mundo à sua frente;

O palácio da Bela Adormecida

O palácio da Bela Adormecida

– comi chocolates em Bruxelas, “conheci o Manneken Pis (outra personagem desapontadamente pequena) e naveguei pelos canais de Bruges;

– conheci Amesterdão num dia excepcionalmente quente, carreguei com tulipas, visitei a casa de Anne Frank e naveguei nos canais da cidade (não, não comi nenhum space cake nem fumei erva);

– entrei no castelo de Neuschwanstein (onde Walt Disney se inspirou para fazer o castelo da bela adormecida) e fui a Munique (mas, infelizmente, não na altura da Oktoberfest);

– foi na Suiça que vi, e toquei, pela primeira vez em neve e onde imaginei a Heidi a correr com o Pedro pelas encostas verdejantes;

– realizei um sonho antigo de visitar Austria onde comi bombons Mozart, imaginei “the sound of music” (“música no coração”) nas ruas de Salzburg, comi Sacher torte em Viena e descobri que, afinal, o Danúbio Azul já deixou de o ser há muito tempo. Percorri os caminhos outrora percorridos pela princesa Sissi que sempre associarei à actriz Romy Schneider e estive onde Hitler esteve, quando se dirigia à multidão que o seguia;

Palácio de Schonbrunn, Viena

Palácio de Schonbrunn, Viena

– visitei Praga pouco depois da cortina de ferro cair e tive o privilégio de visitar a cidade ainda com poucos turistas; voltei quatro anos, e novamente dois anos depois, para encontrar chusmas de gente por todo o lado:

Passou a ser a foto da Ponte Carlos que tenho, com menos gente em cima

Passou a ser a foto da Ponte Carlos que tenho, com menos gente em cima

Vista aérea da Ponte Carlos

Vista aérea da Ponte Carlos, alguns anos depois

– Budapeste surpreendeu-me com o seu calor abrasador e ofereceu-me gelados nas suas praças e colinas; gostei tanto que voltei quatro anos depois;

Do cimo de Buda uma panorâmica de Peste com o Danúbio pelo meio

Do cimo de Buda uma panorâmica de Peste com o Danúbio pelo meio

– Polónia é um país de clima frio mas deu para comer um gelado em Cracóvia quando o sol apareceu e para comprar brincos de âmbar em Gdansk, por entre abertas na chuva. E foi aqui que, sob uma chuva copiosa, visitei o campo de concentração de Auschwitz e onde, mais uma vez, fiquei horrorizada por ver o que os homens são capazes de fazer uns aos outros… Cheguei quase na hora de fechar porque quando visitei Praga, Budapeste e Cracóvia pela primeira vez fi-lo quando ainda havia fronteiras terrestres onde se demoravam eternidades só para passar para outro país. Não ajudou quando parámos na fronteira da Polónia e nesse momento Portugal jogava contra esse país, no mundial de 2002… e ganhava. Ficámos duas horas parados, dentro do autocarro!

Gdansk, Polónia

Gdansk, Polónia

– fiz um circuito pela Itália e vim de lá mais redonda. Que comida maravilhosa, que sabores, que texturas! Das pastas, das pizzas, das sobremesas, dos gelados… O melhor gelado que comi até agora foi na costa Amalfitana, à base de limoncello e absolutamente d-i-v-i-n-a-l. Aqui visitei a varanda onde Romeu namorou Julieta (Verona) e onde a arte ocupa as ruas (Florença); andei de gôndola em Veneza, fui ao Il Palio de Siena e estive perto da torre de Pisa; visitei Roma, Pompeia, Nápoles e naveguei até Capri. E gostei tanto que, quatro anos depois, voltei a Veneza na altura mágica do Carnevale e um ano depois a Roma, para festejar o meu aniversário:

Il Carnevale di Venezia

Il Carnevale di Venezia

Il Colosseo di Roma

Il Colosseo di Roma

– tive a sorte do anti-ciclone dos Açores estar a criar um clima perfeito sobre as ilhas Britânicas e visitei a Irlanda sob um sol inusitado… para depois começar a chover e nunca mais parar. Mas deu para visitar esta ilha esmeralda e deslumbrar-me com as suas belas paisagens, mesmo sob a chuva;

– depois surgiram as máquinas digitais e em bom tempo que a velhinha analógica, companheira fiel das minhas viagens, avariou e já não teve arranjo possível. E no ano em que o papa João Paulo II morreu fiz o meu primeiro cruzeiro que me levou a algumas ilhas Gregas e à Turquia. Nesta viagem vi o nascer do sol no Mediterrâneo, fui à romântica ilha de Santorini e vi o pôr do sol em Mykonos. Turquia surpreendeu-me positivamente ficando apenas pela costa do mar de Marmara.

Nascer do sol no mediterrâneo

Nascer do sol no mediterrâneo

A vila de Oia (leia-se Ia) surge alva entre o azul do céu e o azul do mar

A vila de Oia (leia-se Ia) surge alva entre o azul do céu e o azul do mar

Mykonos aos entardecer

Mykonos aos entardecer

– sempre atraída por terras britânicas, Escócia foi um destino escolhido e foi um país que adorei. Entre castelos de reis e rainhas, lochs (lagos) a perder de vista (sem nunca avistar o monstro Ness) e glens (vales) verdes cortados por lagos e rios quais fios de prata, quase consegui imaginar o William Wallace a descer pelas encostas das montanhas e a gritar “Freedom!”

Eilean Donan Castle, Escócia

Eilean Donan Castle, Escócia

Lochs and glens of Scotland

Lochs and glens of Scotland

Loch Ness

Loch Ness

– visitei Dubrovnik sob um calor intenso, de tal forma que a máquina fotográfica não resistiu e deixou de funcionar em Trogir. Muitas lágrimas verti e safou-me uma outra turista que se condoeu do meu infortúnio e me emprestou uma que tinha a mais e que foi muito usada no resto do país e na Eslovénia. E na mesma viagem apanhei calor na Croácia e chuva em Ljubliana, numa constante mutação de clima;

Nas muralhas de Dubvronik

Nas muralhas de Dubvronik

Em redor da cidade

Em redor da cidade

Lago Bled, Eslovénia

Lago Bled, Eslovénia

– um segundo cruzeiro levou-nos ao Báltico e conheci cidades intemporais, desenvolvidas sob mão de ferro e que pouco a pouco se abrem ao turismo. Em Tallinn comi amêndoas torradas e em S. Petersburg toquei na estátua do cavaleiro de bronze que preenchia o meu imaginário desde que li o livro com o mesmo nome. E com Tatiana e Alexandre voltei a esta cidade, imaginando-a cercada na segunda guerra mundial, com os quadros a serem tirados do Hermitage para que não caíssem em mãos inimigas e com o rio Neva gelado, numa época histórica e cheia de emoção. Quando lá estive não nevava, pelo contrário, estava sol e pudemos passear pelas ruas e canais, visitar o palácio de Catarina, ficando apenas a faltar uma visita ao metro. Estive na cidade onde se atribuem os prémios Nobel e senti muito frio em Helsínquia, mas faz tudo parte do encanto de quem viaja;

Amêndoas torradas em Talliinn, Estónia

Amêndoas torradas em Talliinn, Estónia

Hermitage, St. Petersburg

Hermitage, St. Petersburg

Palácio de Catarina

Palácio de Catarina

– Nova Iorque é exactamente aquilo que lemos nos livros e vemos nos filmes. Alta, imponente, cheia de bandeiras às riscas e cheia de ex-libris que nunca pensei visitar de perto. Mas a estátua da liberdade, afinal, é pequena e o calor muito opressivo, como se ficasse preso entre aqueles prédios a perder de vista e se colasse à pele assim que saímos à rua. Adorei a Ellis Island, o Central Park e as paisagens a perder de vista do topo do Rockfeller Center e do Empire State Building. Na Broadway vimos o musical “Chicago”, comemos cupcakes em Times Square e estive na New York Public Library onde a Carrie Bradshaw ia casando com o Mr. Big, concluindo que, para mim, também seria um local de sonho para um casamento;

Times Square

Times Square

Skyline de Manhattan

Skyline de Manhattan

Oh, Mr Big... where are you?

Oh, Mr Big… where are you?

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– Turquia surpreendeu-me com o frio e com os seus locais inesquecíveis. Em Istambul bebi chá de maçã e sumo de romã e quase subi de balão na Capadócia, mas tiveram de cancelar por causa do vento; constipei-me em Pamukkale e foi a espirrar que visitei Izmir. Desmistifiquei a minha convicção que Éfeso era na Grécia (não é!) e tive uma crise de cólicas e diarreia depois de dias a comer comida turca. Devo ser das poucas que gosta do café turco, cheio de borras no fundo e passei a adorar baclavas.

Mesquita azul, Praça de Sultanhamet

Mesquita azul, Praça de Sultanhamet

Haghia Sophia

Haghia Sophia

Um vôo abortado na Capadócia

Um vôo abortado na Capadócia

Ruínas de Éfeso

Ruínas de Éfeso

– e este ano (2014) fiz o meu terceiro cruzeiro, desta vez à Noruega, visitando os fiordes e por onde os trolls caminharam. Mas essa é uma história que pretendo contar outro dia…

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